sábado, 24 de abril de 2010

sobre a mascara

Uma joaninha passeia pelo monitor do pc. Eu já escolhi a mascara q vou usar para o resto da vida. Uma questão de necessidade. Já que não há saída, preferi escolher duma vez do que esperar a situação me obrigar a ser o que não gostaria de ser. E qual é a máscara que uso? Vai saber... talvez aquela com o cabelo falso black nunca visto antes. Com as unhas de plástico pintadas de roxo. Com bota por dentro da leggin sem ter medo de parecer gorda. Com sorisão na cara. Cigarros noturnos. Fim de semana em casa, que milagre. Hora pra dormir, hora pra acordar, pra comer pra trabalhar... rascunhos e mais rascunhos no diário virtual. pois é, parei de delatar eu mesma... Auto-controle... meu corpo arde por ti feito desgraça! Que desgraça! Um pouco mais de auto-controle. A joaninha continua passeando... Ai papai do céu. É pq a Cris, ficou pra tras no ano passado.

Erro



ERRO É TEU. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Não foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que,—como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma,
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro... Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras... 

Machado de Assis

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Monólogo de uma árvore com a copa dourada

Não tenho mais a copa dourada. Choveu nos ultimos dias e o lixo que se escorava na minha raiz foi retirado. Mas podaram-me. Não tenho mais a copa dourada. A menina voltou hoje... com o velho sobre-tudo preto. Ela esta diferente, cortou os cabelos. Está a cada dia mais parecida comigo. Também cortaram a grama quando fizeram a minha poda. Sim, estava me incomodando, mas sinto falta do lixo. A menina hoje chegou mais perto do portão. Provavelmente pq não estava com os fones no ouvido. Ela ate sentou no chão. E não segurava nenhum copinho de dose, e nenhuma caneca nas mãos. Apenas o cigarro. Mas nessa noite faz frio. Os bebados não são mais bebados pq não se escoram mais em mim. A menina me faz companhia durante alguns poucos minutos noturnos. Estou sem a copa dourada, mas as folhas ainda brilham com a luz da rua. Essa menina me intriga.

domingo, 18 de abril de 2010

Rascunhos

São só rascunhos não são? Apenas palavras... o café frio acompanha a madugada que também é fria no céu cinza opaco dessa cidade... você é o meu sol, que espero aciosamente que apareça no dia seguinte.. ao acodar. Sinto saudades dos sonhos meus. Das conversas sem pressa. Das palavras que despejo ao vento... Da utopia, que hoje sei. Por Deus! o que fazer com todas essas palavras? com essa poesia que é você em minha vida?Com esse romance que nunca deixou de ser, mas também ou bem da verdade nunca foi de fato. Quem derá eu que seja tudo tão somente palavras. É um lindo ritual. Todos os dias abasteço um pouco de vc em mim platonicamente seja com um gole do maldito bemdito cafe frio, ou com um trago do cigarro amargo que revela a lembrança do teu gosto em meu corpo. Patética lembrança essa que faz de mim uma sonhadora, daquelas q só faz escrever palavras apenas, em rascunhos que guardo hoje.
Algumas situações que vivo parecem ser uma eternidade. Como quando abraço-te sentindo cheiro de banho fresco acompanhado de olheiras com bom dia. De dia sou algo q não sou a noite antes de deitar-me. Quem dera tbm fosse. Como é bom o gosto do desejo q vc me provoca. Não de dia no bom dia, porém sim a noite com a lembrança.

Monólogo de uma árvore com copa dourada

Faz tempo q a menina não vem. Hoje ela abriu a porta da frente denovo. Esta com aquele velho sobretudo preto e hoje nem faz tão frio. Esse lixo ainda está aqui enconstado na minha raiz. Ela não segura nada nas mãos além do cigarro. Parece que a fumaça toma conta do céu. Sim, hoje é uma noite nebulosa. Ela não sai de perto do basculante, acho q é por causa do fone de ouvido. Não está agitada. Está olhando pra mim... e eu olho pra ela. Queria ler seus pensamentos, pq ela é intrigante.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Monólogo de uma árvore com copa dourada

Olha! A menina está ali fora! Caramba! Tá um frio do piru! bbbbrrrrr! Acho que ela bebe algo quente. Um chá ou um café, Porque hoje ela segura uma caneca e parece que sai uma fumacinha de dentro. Se bem que não dá pra eu saber ao certo se a fumaça sai mesmo da caneca ou é do cigarro que ela segura na outra mão! Ufa!...  Pelo menos ela não é uma alcoólatra! Esse lixo na grama ali embaixo está me incomodando. Hoje não tive a companhia de bêbados. Nossa mas parece que já é bem tarde. Pelo menos a menina está bem agasalhada. Colocou os fones no ouvido denovo. Ixi, parece preocupada... entrou correndo.. ai ai ai... será que ela volta logo? ... Voltou, pegou o cigarro que estava encostado no basculante. Caraca ela tem umas reações esquisitas. já falei que ela é intrigante? Acho que está chorando. Meu Deus! Essa menina não pode estar bem. Se agita toda! As mãos vão até o rosto, acho que enxuga as lágrimas. Por que será que ela chora? Quer dizer, pra mim isso é choro. Opa! O morador da casa ao lado acaba de chegar. Logo atrás veio uma moto. A menina que está chorando disfarça e cumprimenta alguém...Entram 3 pessoas na casa. A menina joga a bituca do cigarro na calçada. Respira fundo. Abre a porta e entra. Ixi... será que ela vai voltar? Fechou a porta. Acho que ela não volta mais hoje. Quer dizer, esta noite.

nostalgias de frio

Foi com você que aprendi a beber conhaque nas noites frias dessa cidade de céu cinza opaco
Foi com a menina estampada  em vermelho que decorei as faixas do cd "chico ao vivo"
Foi com vocês que aprendi a saborear o gosto da nicotina salivando entre os dentes
Pela primeira vez reparei no som das contas vermelhas tintiliando
Descobri o segredo encantador do enquadramento do espelho pendurado no teto do bar, que por pouco passa despercebido...
Aprendi que o desenho das letras torna-se indiferente quando se sabe colocar as palavras que traduzem os sentimentos mais íntimos no papel...
Meu passado torna-se presente em alguns momentos desses dias de frio
Hoje bebo conhaque e fumo um cigarro ao som de chico ao vivo e depois... estampo em um livro virtual semi-aberto meus pensamentos nostalgicos.