sábado, 29 de agosto de 2020

 MINHAS TIAS-AVÓ

Tia Lázara e Tia Maria. Irmãs da minha avó Benedita, mãe do meu pai Jair de Souza.


UM POUCO DO QUE EU SOU É POR CAUSA DELAS


Recebi essa foto hoje. Essa imagem, tão forte, tão linda, tão iluminada me pegou de sobressalto. Chorei de emoção.

Minha avó Benedita já nos deixou. Sinto falta dela. Sinto falta de tudo o que eu não vivi com ela.

Ver essa imagem das irmãs da minha avó (das minhas tias-avó) me enche de alegria. É como sentir que a nossa história nunca se acaba. Somos força, somos resistência! E o elo fundamental, para que eu tenha contato com um pouquinho da minha história, da história da minha família é por causa da minha tia Cassia Basso.

Estamos juntas ainda que distante. E quanto mais o tempo passa mais eu me conheço.

Obrigada por tudo <3

Foto em Cambé- PR | Agosto de 2020




segunda-feira, 9 de julho de 2018

homens

eu estou cansada de trabalhar para homem branco hétero cis!

eu não consigo me empoderar

eu não consigo me empoderar caralho!!!!

eu odei saber que eu sempre vou precisar de um homem pra chegar em algum lugar. pra pagar o aluguel. pra comer. pra pagar a cerveja. pra pagar o cigarro. pra gozar.

eu não quero ter que precisar de um homem. eu quero só ter que precisar de mim mesma.

mas eu nasci mulher né. que lástima. que destino cruel. que realidade machista que eu vivo. eu não aguento mais.

o mais foda é saber que ainda que eu tenha um convivio num meio descontruido, ainda sofro muito preconceito.

preconceito por ser mulher. preconceito por ser negra. preconceito por não ser rica.

eu sempre preciso de um homem pra pagar meu salário. o salario que paga o aluguel, a cerveja o cigarro o uber de volta pra casa, o remedio da cachorra, a geladeira nova, o concerto da máquina de lavar roupas.

eu nao to pedindo esmola. eu não to querendo emprestimo. eu não quero piedade.

eu trabalho. eu quero trabalhar. eu gosto de trabalhar.

eu só não aguento mais ter que depender de um homem.ter que depender de varios homens. homens brancos hetero cis. homem no alto escalão da política, da saúde, do juizado, da cultura. homens. homens, homens, homens, homens. sempre sobre homens. sempre homens. é sempre sobre homens. é sempre o hominho que define o destino de uma mulher. que define o destino das mulheres. que decide onde a mulher deve estar.  EU NÃO AGUENTO MAIS. EU NÃO QUERO MAIS!




sábado, 31 de março de 2018

Vô Pedro

"A menina passou o domingo na companhia de seu avô. Ela gosta do jeito que ele fala. Um senhor machista e independente que derrepente virou quase um bebê. A menina sente que precisa passar mais tempo com ele. E é bom. E foi bom. Ele está com a visão comprometida. Anda com dificuldade. Fala lentamente, baixinho, sem a energia que tinha antes. E a menina sente necessidade de conversar mais com ele. Ele segura a mão da menina, e ela conta do sonho que tem de ir pra Cuba. Sentados no sofá, enrolados no cobertor na tentativa de se proteger do frio dessa cidade cinza opaco, ela, a menina lê para o seu avô bebê sobre o governo de Cuba, sobre os metódos de ensino. Ele, mesmo variando um pouco das idéias, lhe aconselha. Depois a menina mostra para o avô musicas cubanas, e eles dançam juntos com as mãos, pois o senhor velhinho bebê já não tem forças. Ele tira o relógio do bolso. A menina adora esse relógio. Ele conta que tem o registro nacional do relógio, que o comprou á uns dois anos. A menina sabe que seu avô ganhou o relógio do seu filho mais velho. Não questionou o que ele estava falando. Ele deve saber o que diz. Esse relógio. Passaram horas observando o relógio nas mão trêmulas do senhor. Ele não parava de falar, sim lentamente, mas não parava. A menina o olha com aquele olhar de ternura. Com aquele olhar de quem se despede de toda a sabedoria do avô dia após dia. Ele sabe que falta pouco tempo. E espera pacientemente. As vezes tenta se levantar de supetão e diz que vai dar uma volta por aí. Ainda bem que a menina está por perto, assim evita que ele se estatele no chão. Parece tão frágil. Tanto quanto ela. Há de ter paciência. e respeitar os momentos de seu avô. Ele se esforça. Mas hoje não quis se quer comer. Não quis acordar... a menina sabe que só tem nesse momento a companhia singela de seu avô. É tão doce. As vezes parece que ele dorme sentado, segurando a mão da menina e ela apesar de saber que tem que cuidar dele, sente-se segura pelo simples fato de sentir que ele está ao lado dela. É o suficiente para o tempo passar suavemente, sem respiração ofegante, sem problemas maiores, sem que seja o fim do mundo. A contagem regressiva e lenta a cerca do tempo de vida de cada um deles começou. A menina espera que amanhã seu avô acorde pra dançar com ela de mãos dadas."

Texto que publiquei no meu blog secreto em 04 de julho de 2010. Inverno em Curitiba. Domingo cinza.

A última vez que dançamos de mãos dadas, foi em dezembro de 2016, durante a gravação de um dos episódios de Pássaros Ruins.

Finalizou-se, em 27 de março de 2018 a contagem regressiva a cerca do tempo de vida do meu avô. No alto de seus 98 anos.

Meu avô Pedro nos deixou. E que difícil é a dor da partida. Ainda que eminente desde de há muito tempo.


A vida é muito louca. e a morte também





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

T E M P O - tragicomédia inacabada

Ter ou não ter tempo?
Ser ou não ser movimento?

Se eu pudesse dizer alguma coisa que pode te ajudar, seria: Nada (.N.A.D.A.) é mais importante que:

- a sua vida
- o seu descanso
- a sua família
- as coisas que você gosta de fazer...

Se não der tempo de fazer alguma coisa de trabalho, ok. Não sofra por isso.

NADA É MAIS IMPORTANTE DO QUE VOCÊ DAR UMA JANTA QUENTINHA E SABOROSA PARA O SEU FILHO.

Se alguém lhe cobrar algo inútil, apenas diga: "agora não posso. Estou jantando com meu filho".

E

Ponto.




terça-feira, 15 de julho de 2014

nota

eu tinha o sonho de me apaixonar por vc mais uma vez pra minha vida voltar a fazer algum sentido estranho

no meio de tanto caos, só o que eu sinto é amor.

Moleque, meu pequeno. Meu xuxuzinho. Já sinto saudades e nem faz tanto tempo. Mas é que pra você tudo é tão rápido. É tudo tão diferente no tempo, na vida, na alegria. Só queria estar mais vezes com você pq é sempre muito feliz. Você, meu pequeno bebê, está tão tão esperto. Haaa como sou corujona. Haaaa como sou boba. É tanto amor dentro do meu coraçãozinho que nem cabe. Que transborda. Deve ser bom quando transborda não? Sinto saudades. Sinto sua falta. Sinto muito amor. É pq quando vejo vc, tão pequeno, sinto paz. Sei que vc é um serzinho forte pacas. 100%. Não vejo a hora de vc poder entender todas essas coisas que guardo pra ti. Pode sempre contar comigo irmãzinho pq vc agarrou meu coração. Meu coração estúpido bolha. Sei que vai ser uma puta parceria. Pq vc é fera, sempre foi, e me enche de orgulho.

quarta-feira, 20 de março de 2013

caminhão? ... não


Passou por cima de mim um caminhão. (...) Pensando bem, acho que era um rolo compressor (não me recordo ao certo). Um rolo compressor passou esmagando pouco a pouco cada parte do meu corpo. 

Desgrudar do asfalto não é tarefa simples. É uma tarefa dolorida. Exige paciência e cuidado. Uma atitude precipitada e você levante deixando grudado no chão uns pedacinhos de ti. Pedaços... na hora de desgrudar, tens que respirar fundo e fazer movimentos leves e lentos para não doer tanto. Dói, claro que dói. Só que lentamente dói menos. Além disso é necessário trabalhar o desapego. Depois que um rolo compressor passa por cima de você, é preciso entender que não vai dar pra você se levantar e levar tudo de si contigo. Inevitavelmente algumas partes, algumas pequenas partes, vão ficar. 

Depois de se levantar, não olhe pra trás - ou melhor - não olhe para o asfalto. Você não vai gostar do que vai ver e se olhar, vai se desesperar e perceber a dimensão do problema em níveis alarmantes. Não faça isso, entenda que já passou e agora o que resta é seguir em frente. 

No começo, vai ser difícil andar, enxergar, respirar. Sem contar que vai levar um tempo pra você se acostumar com um novo corpo, com um corpo esmagado, que se esforça para inflar novamente. Com um corpo sem alguns pedaços... provavelmente restarão algumas feridas que deverão ser cuidadas como devem ser cuidadas as feridas... 

A vantagem do rolo compressor é que quando ele passa por cima de você ele permite que tudo seja compactado. Mas entenda, depois de se levantar,  a partir desse momento, você terá mais espaço. Aproveite! Pode ser um corpo melhor!  Você poderá escolher desde o começo o que quer que o seu corpo carregue. É como quando a gente nasce... as gente nasce meio sem nada... e ao longo da vida vamos inflando nosso corpo... deve ser por isso, que vez em quando, que em certos momentos passe um rolo compressor.